Segunda-feira, 1 de Setembro de 2008

A chuva fina. Os postes alaranjados. O som do jazz rasgando a alma.






ENTARDECER

Já é tarde, pequena,
corre,
teu trem já parte
deixando apenas a fumaça no ar,
e me permite,
por um momento,
perder o senso da realidade.
O que é certo ou errado?
Serão os beijos
que trocamos
menos beijos
que os outros?
Serão os toques
menos toques
porque tão velados?
Teus lábios serão
sempre meus,
morram dizendo o que digam,
porque,
pro nosso amor,
já é tarde...


-Victor Mariusso
30/07/07



Ouvindo: Ella Fitzgerald - You've Changed (That sparkle in your eyes is gone...)

A vida. O turbilhão do inevitável. O começo juntos.






FRAÇÕES

Desejo teus lábios
teus dentes e dedos,
tuas mãos e tua língua.
Desejo tua pureza
e ainda tua malícia,
desejo tua voz que é
uma agulha, um ronco,
açúcar e agora aguardente
e já cristal.
Desejo-te inteira,
e já só um quarto,
talvez metade,
mas meu medo
me impede de pedir,
por mais discretamente,
um só tercinho
do teu amor.


-Victor Mariusso
28/04/08




Ouvindo: B.B King - I Wanna Marry You

O sonho. O projeto. O susto do choque imediato com a realidade.







DA LIMITAÇÃO

Se ainda hoje
fosse capaz de
penetrar seus sonhos,
perpetrar neles
meu parco encantamento
junto ao teu
que, como se
hoje, ainda ontem
percebi,
seria mais feliz
um instante,
de máxima reverberação
do que sinto,
reprimo e afogo,
talvez porque não seja capaz
de expressar
na mais simples
carta de amor
por você.





-Victor Mariusso
19/04/05




Ouvindo: Billie Holiday - Cheek to Cheek (Heaven... I'm in heaven... =D)

Sexta-feira, 23 de Maio de 2008

As olhadelas furtivas. Os silêncios significativos. Aqueles momentos nos quais parece não acontecer nada, e acontecem mundos.




ALTO MAR

Qual o mistério que se
esconde por trás de tal
e espessa bruma
que se adensa,
condensa
todos os meus maiores temores?
Era comum minha lida,
a rotina minha de cada dia,
e assim, de repente:
você,
que cresce e se apodera de mim
como se me conhecesse há tanto,
me devasta a alma,
e me prediz,
na palma a tua tempestade sutil,
que me escurece o dia
e clareia de terror
o céu escuro
de minha solidão.
À deriva no teu desconhecido oceano,
vencido e só,
naufrago.

-Victor Mariusso
06/04/06


Ouvindo: Charlie Parker - Embraceable You

Quinta-feira, 22 de Maio de 2008

O abraço quente. Os olhos coçando de sono. O acalanto do amor e da entrega.

FUGERE URBEM




Estou no campo.
Minha mente vaga
distante,
doente,
volta à metrópole.
Alma urbana,
mente insana.
Não há sons
como os da noite,
nem luz como
a da Lua,
quando se descobre
de seu edredom de nuvens.
Não há silêncio no campo:
Há insetos.
Não há viagem
que não me lembre você.
Não há torpor como
o dos seus beijos,
que - cedo ou tarde -
voltarão aos lábios meus.


-Victor Mariusso
28/04/05


Ouvindo: Alzira E - Milágrimas

Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2008

O encontro entre Dunas e Ondas. Mar e Deserto se fundem. Distantes e parelhos.

DESPERTATE


Despertate, amantísima,
que quiero tus ojos libres de la niebla de los sueños.
Te quiero a vos desnuda y clara,
gitana, oculta y disimulada.
Quiero tu aire del Buen Aire,
nostalgioso,
triste,
voluptuoso.
Yo te quiero entera
y a los pedazos,
vestida o a pies descalzos,
eterna noche en tus brazos.
Quiero tu risa más linda,
tu olor más raro,
tu carícia más suave,
tu amor más desesperado,
tu amistad más crua,
tu odio más exaltado,
tu herencia más fina,
tu rencor más prolongado,
tu remordimiento más frio,
tu sexo más degenerado.
Te quiero con una mezcla rara
de amorcito de vals amanecido
y un canyengue lleno de dolor...


-Victor Mariusso
Marília, ?/2007


Ouvindo: Bidê ou Balde - Melissa

Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008

Leve. Muito leve. O coração flutua.


NUIT BLANCHE I





Enquanto você dorme
como a cria que fecha
os olhos e confia,
eu atravesso a noite
e esquadrinho a lenta-mente
atrás de alguma metáfora
indecente
que me permita te expressar
minha pouca ousadia
que me induz ao erro
de te querer mais próxima,
talvez junto de mim,
mas ainda assim
o que quero,
e ainda assim é um erro,
mas aceito meu destino,
se é tudo o que quero.
As horas mortas se põem
atrás do horizonte de todos os relógios.
Eu que tenho andado tão calado,
ponho-me feito criança
com a perspectiva
de um só dos teus sorrisos,
que são mistério do mundo,
e são todo meu mistério.



-Victor Mariusso
Bauru, 13/11/05




Ouvindo: Bidê ou Balde - Mesmo Que Mude